quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mãos, pés, bundas e cabeças...


Um movimento simples, assim como toda a vida. Simples.
Encaro a verdade de frente, quando fujo sempre volto ao mesmo ponto. Medo.
Recebo ajuda às vezes, por pés ou mãos, mas fico só no fim. Sozinho.
Sempre trago recordações, não importando a idade. Infância.
Já presenciei uniões e términos. Chora e chóro.
Estou sempre aqui, às vezes inteiro, às vezes pela metade. Desgaste.
Você espera pra me ver e eu espero pra te sentir. Iludir.
Quando me enrolo você me ajuda e quando se entedia pula fora. Mas me adora.
Presencio todas as estações, mas te vejo só em algumas. Voltas.
Vai e vem. Range, range. Vai e vem. Range, range.
Observo do alto ou de baixo, mas você sempre se ausenta. Pensa.
O movimento te proporciona prazer... E você voa longe. Distante.
O que você pensa? O que vai fazer agora? Range, range.
Você salta. E não volta.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Astrolabe, eu abro no feixo



Eu rodo, me abro, observo e me fecho.
Tantos animais. Tantas histórias. Tantos caminhos.
Águia, ursa, mãe. Perdido.
No silêncio do meu interior, eu te faço se auto-encontrar.
Junho, Março, Plutão. Perdido.
Observa-me na palma da sua mão. Perdido.
Me roda, me abre, observa e me fecha. Duvida.
No alto. O alto é a resposta. O alto é o certo.
Tema o céu. Me abre. Treme. Observa. Treme. Se perde. Treme.
Observa o céu. Me roda. Procura no céu. Me fecha. Escolhe.
Duvida.
Me olha. Capricórnio. Me perde. Mercúrio. Se fecha. Mãe.
Escolhe. Primeira visão. Nascimento. Me procura. Se observa.
Astrolabe, eu fecho no feixo.

sábado, 10 de abril de 2010

A visita da cor



Outrora fui criticado por escrever textos preto-e-branco. Uma tal tecnologia de mil, milhões, ou até mais, para o grand finale ser uma guerra. Não estou falando de Oscar. Só estou dizendo que a arte imita a vida.
Parecia um trecho de Thomas Keneally. Algumas coisas em preto. Outras em branco. A cidade com seus muros, com seus passos, com suas conversas, com suas pressas. Em pernas. Para o alto, um balão. Carros... naquela cena, apenas os pretos e brancos. Era instigante como a vida resolvera se descolorir. A faixa na rua listrava pegadas rústicas de um homem de bigode com sua filha. Ela ia arrastada, deixando sua cabeça um pouco mais atrás, hipotônica. Não estava cabisbaixa. Seus olhos olhavam pra cima e pra baixo. Uma imagem terrível foi ver o que a menina não enxergava fixamente. Oscilava. Oscilava. Era tudo tão inconstante.
E naquele cenário pichado, um balão voava por entre os carros. Vermelho ia e vinha. Subia e descia. E a menina ia arrastada por braços fortes. Ela se martirizava não porque seu balão havia se soltado de sua mão e isso significava o fim, mas porque ela não vira o fim. Ele subia, ele descia. Vermelho ia, vermelho vinha. Era o último verbo que ela queria presenciar na ação de sua vida. O verbo “vir”. A esperança vermelha em seus braços novamente. A alegria de volta. Porém ela só tinha lágrimas, salgadas, que sozinhas secariam e deixariam um caminho enrugado no seu rosto, lembrando-lhe sempre a dar valor na felicidade, em teoria.
Era a minha vez de atravessar a rua, ainda fitando a última lágrima naquele rosto. Por entre as barracas de camelôs eu procurava meu carimbaço. Era engraçado um laser. Instigar pessoas para uma luz desconhecida. Fazer-se notado, sobretudo à noite. E lembrei os dezesseis natais que, quando criança-adolescente, sabia o presente que ganharia. E, na vigésima quarta noite do mês de dezembro, rasgava com voracidade o embrulho. E brincava dias, sempre. Era a alegria e também a surpresa. Sim, sobretudo surpresa. Paradoxalmente, surpresa. A consciência sempre me dizia: você é feliz, em teoria.
Mas aquela menina não está feliz, está angustiada. Seu balão vaga por aí. Nenhum carro sequer conseguiu estourá-lo. Ele sobe e desce ainda. Vai e volta ainda. E a menina sabe disso, mas seu pai, seu pai não sabe ou prefere não saber. A angústia para os adultos não passa de um ato animal de engolir a tristeza a fim de vomitá-la como normalidade.
E resolvi colocar a felicidade em prática. Sair na rua, à noite, carimbando as pessoas com meu laser. Cenário preto-e-branco novamente. Vida preto-e-branco. Vida barata. Vida preenchida por descolores. Somente o laser pra me enxergar o vermelho. Só estou falando que a vida imita a arte. Nada mais. E nada menos também.

terça-feira, 2 de março de 2010

Mecanismo Fabuloso

Pela Internet, por telefone, onde quer que vá convites maliciosos sempre
são pronunciados.
Encontros marcados com um único propósito.
Eu estou falando sobre sexo.
Corpos preliminares, o clímax, orgasmos e mais orgasmos.

Fabulouso Mecanismo
Trazendo pra terra princípios inteligentes de uma outra dimensão!
Fabulous Mecanismo
Trazendo par terra princípios inteligentes de uma outra dimensão!

É isso ai! Você só está aqui porque é fruto de uma boa transa. Yeah baby!
Já abriu seus olhos para isso?
Olhe pelo buraco da fechadura enquanto você está sendo feito, você é o resultado de um transa exepcional, ou não? E é tudo muito natural, tão delicioso, não se preocupe, é um mecanismo fabuloso.

Fabulouso Mecanismo
Trazendo pra terra princípios inteligentes de uma outra dimensão!
Fabulous Mecanismo
Trazendo par terra princípios inteligentes de uma outra dimensão!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sonho



Minha irmã falava com meu pai sobre função renal, creatinina e critério de AKIN para Insuficiência Renal Aguda. Jamais estudara isso na escola. E, injustamente eu, não sabia de nada daquilo tudo. Na correria dos pensamentos houve uma morte. Um olhar, um sorriso, uma morte. Por que minha mãe sorriu pra mim quando sabia que me deixaria sozinho? Ela sentia o resquício do meu Complexo de Édipo e morrer, ali, diante dos meus olhos e estampando um sorriso amarelo na face, não me salvaria do sofrimento. Dos sonhos pesados.
Papai ouvia atentamente qualquer pensamento de minha irmã. Houve uma lógica: o médico errou! Minha mãe morreu. Sei lá se foi transferência freudiana, mas o médico foi o culpado. Isso me aliviou no sonho. Senti que respirei duas vezes com ela mudando de posição e colocando sua mão sobre meu tórax. Mais uma respiração e tudo se reaquietou.
Então minha irmã me contou sua teoria. Peguei meus mínimos conhecimentos de escola-pela-metade e fiz alguma coisa. Tais procedimentos jamais estudados. “Mamãe está viva”! – gritei. Vi outro sorriso em seu rosto. Ela só pediu pra falar baixo, pois precisava descansar.
Uma gata lá fora chamava seu gato para o acasalamento. Um miado infernal. Esses gatos tendem a me perseguir sempre, de fato. Só a Nena que me procura no cio, exclusivamente. Minhas mãos sobre seu seio. Um beijo, não visto, nas costas. Sentido. Um contato diferente de peles distintas. A noite seguiu...
Conversamos e vivemos sem morte. Visitamos novos lugares. Senti sentimentos únicos. Tudo era novo e deixava saudade daquilo não olhado, daquilo não sentido, daquilo não conversado. Saudade do novo. Saudade de novo. Mas a manhã chegou. Os gatos foram embora para se reencontrarem numa outra vida. Foi então que acordei ao meio-dia e fiquei a outra metade do dia triste. Minha mãe continua morta.
“Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar... e o dia parece metade quando a gente acorda e se esquece de levantar”. E o mundo é perfeito?
Quem me dera viver meus sonhos e escolher qual realidade sonhar...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A morte dos bebês curicacas


Resolvi escrever esta estória porque um amigo a acha muito legal e fica imaginando a cena todas as vezes que eu conto. Devia ter uns 5 ou 6 anos quando cometi o crime. A porta de metal da minha casa avistava um enorme lote com mato alto escondendo tantas pedras. Eu estava na idade em que escutava meu pai dizendo ao meu irmão mais velho que ele era o homem da casa, em sua ausência. Queria ser homem também, mais que meu irmão. Sei que meu processo fálico não era maior que o dele, por isso tentava superá-lo nos feitos.

Fiz uma aposta com minha irmã. Pegaria um ovinho de curicaca e mostraria a ela. Assim, ela poderia ser testemunha ao meu irmão, que não se encontrava no momento. Ela, por sua vez, prometera não contar nada à mamãe.

Desço as escadas, avisto o mato mais alto que eu. Vejo curicacas voando em minha direção. Dizia mamãe que elas põem as garras em nossa cabeça, e de tanto nos levantar, arrancam-nos os cabelos. Meu cabelo nunca foi bom, mas não queria perdê-lo. Senti, pela primeira vez que eu me lembre, a Reação de Cannon. Fugir ou lutar? Lutar! O gosto da fuga não construiria o riso sarcástico do meu irmão.

A agilidade dos meus anos de criança me proporcionou a conquista de dois ovinhos. Volto correndo para as escadas. Subo-as. Minha irmã me esperava ao topo, como prêmio dado a um gladiador. O meu sorriso de satisfação combinava com o dela de “que-vontade-de-contar-para-mamãe”. Mas ela contaria ao meu irmão. E eu podia ver a vontade intimista dele em gorar a minha conquista. Certamente ele torceria para eu ficar careca.

A alegria foi tão grande que não me contive em palavras e demonstrações dos ovinhos nas mãos. Minha mãe e seu sexto sentido vieram até mim e minha irmã.

-“O que você tem nas mãos”?

-“Nada, mamãe – escondendo o fim do meu irmão em minhas mãos e minhas mãos nas costas. Não sei, mas criança acha que se colocar um presente em uma caixa e a caixa em uma caixa maior, e assim por diante, o presente é mais legal. A surpresa é maior. Portanto, escondi os ovinhos duas vezes. Mamãe jamais adivinharia o que eu tinha ali.

-“Espero não ser ovos de curicacas. Elas vêm atrás de quem os pega a noite”.

Os olhos imensos de medo da minha irmã me lembraram olhos de choro de desenho japonês. Medo de me pegarem a noite. Os meus não posso descrever, mas não estavam tão diferentes, eu acho.

Homem que é homem arca com as conseqüências. E assim o fiz. Avisei à minha irmã de que devolveria os ovinhos. Assim, as curicacas não viriam atrás de mim. Caso não voltasse, ela saberia o motivo do meu desaparecimento repentino.

Desço as escadas. Sinto medo. Chego perto do ninho, sorrateiramente. As avezinhas permanecem intactas até eu terminar de pensar que estavam imóveis. Voam de repente em minha direção. Um rasante, dois rasantes. Medo. Medo. Medo. Choro... Desespero. Taco os ovinhos em direção ao ninho, rolando-os pelo chão. Mas o mato era tão alto que não percebi que havia uma “pedra no meio do caminho”. E os ovinhos se partiram.

Reação de Cannon novamente. Mas desta vez eu corri. E passei noites correndo acordado, com medo de as aves virem me pegar. Acho que até hoje estão em luto.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Tuareg


Seu nome é Ibrahim, o mesmo do amigo de Deus que viveu em canaã, ele vive em algum lugar léguas ao sul de gibraltar, é um pirata do mar, do mar de areia que é o sahara, seus olhos são cegados pelo sol do meio dia, um alisio do hades quase sempre assedia sua pele, 40° na sombra, é fato que no deserto não há nenhuma arvore,sua profissão como a de seu pai, e do pai de seu pai,e do pai do pai de seu pai........e assim até o próprio Mohamed é a de comerciante, ele leva sal e peixe seco do niger ao marrocos e de lá traz artesanato e outras quinquilharias, no trajeto reza cinco vezes ao dia, como é dificil achar meca no meio do nada, nadar no meio do nada, possui três coisas que dá valor em sua vida, o saif(espada) de seu ancestral, que dizem ter ajudado salahadin a expulsar o leão inglês de jerusalém, seu turbante azul e o seu estimado sheik, um camelo albino que tem quase sua idade,além é claro, do sangue dos mais nobres cavaleiros da árabia e de tribos de pastores do magreb, quantas vezes ibrahim e sheik, juntos, cruzaram o sahara, ele é ao mesmo tempo o irmão que Alah não deu a Ibrahim e o pegaso pra cruzar aquele mar de areia, Ibrahim tem um jardim, o maior jardim do mundo, más nele não há nenhuma flor, em compensação á noite todas as safiras do céu do sahara são suas, e brilham em sua homenagem, como os grãos de areia, ele nunca conseguiu contar todas elas, mesmo assim cada vez que ele as vÊ vem a sua mente " será que há mais estrelas do que grãos de areia?" e as vezes, mas só quando o vento sopra ele pensa " o que será que é mas árido, o sahara ou eu?"